U$A

É comum quando estamos assistindo algum jornal na TV, após todas as notícias sobre a economia, o apresentador comentar sobre a cotação do dólar. Mas o que esses números de tantos dígitos revelam?

O que significa a cotação do dólar?

Primeiramente, devemos considerar a Lei da Oferta e da Demanda. É bem simples. Na economia, a lei da oferta e da demanda diz que “o preço de qualquer bem ou serviço ajusta-se para trazer a quantidade demandada desse bem ao equilíbrio”. Passando para o nosso mundo, quanto maior for a quantidade de um bem na economia, menor o seu preço. Para comprovar, o exemplo é bem simples: todo mundo já escutou aquele vendedor gritando “um é dois, três é cinco!”, e vice-versa.

Porque será que uma Ferrari custa R$ 2 milhões? Porque existem poucas e todos que podem comprá-las querem uma, por isso o preço sobe. Isso é oferta e demanda.

Usando mesmo raciocínio da Ferrari, e pensando no dólar como um produto qualquer, o que aconteceria se existissem muitos dólares no Brasil? O seu preço cairía, ou a cotação caiu. Inversamente, se houvesse poucos dólares na nossa economia, a sua cotação subiria. Lembrando que essa teoria vale para qualquer moeda estrangeira. Mas então, em quê a cotação do dólar influencia o meu dia a dia? Diretamente, nada. Salvo se você for um comerciante que importe ou exporte para o exterior.

O valor do dólar ou de qualquer outra moeda influencia diretamente quem importa ou exporta produtos. Pra quem importa, ou seja, compra do exterior, o mais interessante é que a moeda do país esteja desvalorizada (preço baixo) porque o seu custo será menor. Exemplo: se um empresário compra máquinas dos EUA, ele vai preferir comprá-las com o dólar baixo (se o dólar vale R$ 1,50, uma máquina de US$ 100 custaria R$ 150, enquanto se o dólar custasse R$ 2,50, teria uma despesa de R$ 250).

Por outro lado, pra quem exporta, ou seja, vende para o exterior, é mais interessante o dólar mais caro, pois o comerciante receberia mais pelo seu produto (se um comerciante vende um carro que custa R$ 20.000 a uma cotação de R$ 1,50, ele receberia R$ 30.000, mas se o mesmo carro fosse vendido a uma cotação de R$ 2,50, ele receberia R$ 50.000, uma boa diferença). Hoje, por exemplo, o Dólar fechou em R$ 1,92 (alta de 0,821%), o Euro da Europa fechou em R$ 2,52 (queda de 0,004%) e a Libra inglesa terminou o dia valendo R$ 3,116 (sem variação).

Numa entrevista cedida hoje, o Ministro da Fazenda Guido Mantega disse que ” se a cotação do dólar chegasse ao patamar de R$ 1,30 ou R$ 1,40, a indústria brasileira estaria destruída”. Porque? Relembrem o texto acima. Se o preço do dólar for muito baixo, o ganho de um comerciante seria muito pequeno, e isso representaria uma perda muito grande para a indústria nacional. É nessas horas que o governo deve agir aumentando ou diminuindo a cotação de uma moeda, por que só com esse sobe e desce todos os importadores e exportadores poderão ser beneficiados, um de cada vez.

Caíque Melo

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5 comentários sobre “U$A

  1. Sucinto,claro e objetivo! O que eu precisava para entender as entrelinhas da economia.
    Devo agradecer pelo blog, me auxiliará bastante.

  2. Muito bem! Apesar de não ser a favor desse tipo de intervenção que tem sérios efeitos distributivos e sobre o bem-estar da população como um todo, me refiro ao último parágrafo do seu texto. Mas parabéns pela iniciativa, acho que economista, médicos, advogados… deveriam pensar melhor pra quem estão falando e abandonar um pouco as tecnicalidades em benefício do entendimento, e é isso que percebi do sou texto!

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